28, de novembro de 1983
Olá mãe,
Agora que já cá não tinha que arranjar uma forma para falar contigo. Continua a ser estranho falar contigo pelo meu diário, mas é a única forma que tenho de falar contigo pelo meu diário, mas é a única forma que tenho para te contar o que se passa na minha vida.
À duas semanas tinha dito-te que ia passar o fim de semana a casa da prima, Fui a semana passada e agora estou aqui para te contar como foi.
Foi espetacular, mas também um pouco assustador.
Perto da casa da prima há um poço. Está fechado há dois anos (fez dois anos dia 1 de novembro), porque uma rapariga caiu lá dentro, mas sobreviveu.
Assim que a prima me contou esta história quis ir investigar, porque como sabes nós temos o nosso trio de investigadoras. Sou eu, a prima Raquel e a Rafaela, a melhor amiga da prima.
A mãe da Rafaela é polícia. Para que nós pudéssemos investigar o caso "foi puxando uns cordelinhos" e conseguiu com que nós tivéssemos acesso ao ficheiro do caso.
Neste ficheiro dizia que a rapariga tinha caído ao poço acidentalmente, que tinha tropeçado numa pedra e caído lá para dentro. Tinha fotos do poço, da pedra em que tinha tropeçado e uma foto da rapariga. Também dizia que o nome dela era Alexandra Botelho e dizia a morada. Apontamos a morada e fomos falar com a mãe da Rafaela. A mãe da Rafaela contou-nos que a Alexandra não falava. A queda tinha-lhe afetado o lado esquerdo do cérebro que é o que comanda a fala.
O médico que a assistiu disse que não haveria forma nenhuma dela comunicar, mas como nós as três somos teimosas decidimos ir falar com o professor Pierce.
Este professor é esquizofrénico, mas muito inteligente. Contámos-lhe sobre o caso da Alexandra e Pierce disse que havia uma forma para Alexandra comunicar. Essa única forma era cantando, pois o lado do cérebro que comanda o canto é o lado direito.
Assim que saímos da universidade, fomos para casa da Rafaela. Pedimos à mãe da Rafaela para ligar à mãe da Alexandra para falarmos com ela.
No dia seguinte, fomos ter a casa da Alexandra por volta das quatro da tarde.
Explicámos aquilo que o professor Pierce nos tinha dito e pedimos à Alexandra para experimentar. Com muito esforço lá conseguiu cantar. A mãe dela ficou maravilhada.
Alexandra explicou-nos que não tinha tropeçado numa pedra, mas sim que uma rapariga da escola dela a tinha empurrado, porque estavam a discutir.
Chamamos a mãe da Rafaela e ela levou a Alexandra à esquadra para prestar o seu depoimento. Deu o nome da rapariga e a polícia levou-a também à esquadra. Essa rapariga foi acusada de homicídio involuntário.
A mãe da Alexandra agradeceu-nos e convidou-nos para lá ir a casa comer umas bolachinhas.
A mãe da Rafaela deu um distintivo a cada uma de nós e disse que irá precisar de nós para resolver mais casos arquivados. Mal posso esperar pelas próximas férias de Verão!
E pronto, foi assim a minha semana na casa da prima. Ainda sinto a tua falta mãe. Porque é que nos deixas-te tão cedo? Não consigo entender isso. Beijos grandes ada tua adorável filha.

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