quarta-feira, 29 de junho de 2016

Uma "Estela" em Ascenção

  Capítulo 7-A Viagem

Estamos dentro do autocarro e vemos pessoas de todos os tipos a entrarem e a saírem. Desde um bebé de meses a pessoas de 80 anos. De góticos a pessoas "normais." De pretos a brancos. De cabelos longos a carecas. De bonitos a feios. A diferença reina. E eu gosto dessa diferença, demonstra que as guerras; conflitos; preconceitos; racismos são "coisas" inúteis.
  Ainda vamos só em 30 minutos de viagem e a Ariana  já se vai a queixar que está cansada e que quer sair dali. O grupo inteiro simplesmente ignora os comentários dela. Jacob vai encostado ao vidro, a dormir, eu e Calleb observamos as pessoas e comentamos e Zoey está a olhar pela janela. Ariana continua com as suas lamurias.
  Passado cinco minutos dos constantes comentários de Ariana, Jacob abriu os olhos e reclamou:
  _Mas tu vais ou não te vais calar? 'Tou cansado de te ouvir!! Não queres 'tar aqui sai e apanha o próximo autocarro de volta a casa.
  _És bué bruto!! Eu por acaso disse que não queria 'tar aqui? _contrapôs Ariana.
  _Então cala-te, estás a estragar o sossego da viagem a todos! _declarou Jacob.
  _Eu não me queria intrometer, mas o Jacob tem razão Ariana... Estamos a tentar ignorar os teus comentários, mas já chega. _Confirmou Zoey.
  _Se não queriam que eu viesse diziam. _choramingou Ariana.
  _Não, não queríamos, por isso é que sabes da viagem desde o início. _disse ironicamente Jacob.
  _Na próxima paragem eu saiu! _amuou Ariana.
  Cansada daquela discussão intrometi-me:
  _Ariana! Tu não vais a lado nenhum! E Jacob! Não estás a ajudar a tornar a viagem melhor. Podemos ter um momento de paz por favor? Começo a ficar arrependida de ter vindo. Se isto é um resumo das minha próximas duas semanas, eu quero voltar para casa.
  Em uníssono responderam:
  _Desculpa!!
  _Não o volto a fazer baixinha. _Jacob piscou-me o olho e deu-me a mão.
  Fomos o resto da viagem assim. Calleb reparou e sorriu para mim como quem diz "muito bem". Durante a viagem rimos e recordámos a altura em que nos conhecemos até à atualidade. Recordei a minha melhor amiga que tinha deixado em Portugal e da qual não tinha notícias à quase uma semana. Antes da viagem tinha-lhe mandado uma mensagem a contar tudo e prometera que quando voltasse das férias contava tudo.
  Chegámos à estação de serviço às 7:45.
  Depois de procurarmos saber que autocarros apanhar até ao Michigan, descobrimos que havia um autocarro que fazia o trajeto direto, mas teríamos que pagar 85€ fora o alojamento que teríamos que pagar durante a noite.
  Fomos falar com o motorista e ele disse que se conseguíssemos arranjar mais duas pessoas e ajudássemos na organização até Michigan que pagávamos só os 50€ que dissemos ter.
  Partia de lá às 9 da manhã e conseguimos arranjar as duas pessoas que faltavam.
  Incrível a quantidade de pessoas que viaja para  Michigan numa altura destas. Embora muitas vão para visitar familiares e não acampar, são mesmo muitas pessoas.
  Pusemos as malas dentro do autocarro e entrámos, sentámos-nos outra vez nos bancos que se encontram no final e descontraímos.
  Encostei-me ao Calleb e adormeci. Acordei quando ele me chamava cuidadosamente para sairmos do autocarro, tínhamos chegado a uma estalagem no condado de Colorado. Ajudámos o motorista a devolver a mal a cada passageiro e encaminhámos-nos para a estalagem. A pedido do motorista pedimos aos passageiro para não fazerem barulho visto que eram 23 horas e não podíamos fazer barulho devido a já se encontrar hóspedes na estalagem. A estalagem era linda. Por fora tinha uma cor creme desgastada com um telhado cheio de telhas de cor já velha devido à chuva, sol e vento. Por dentro assemelhava-se muito ao que eu já tinha visto em filmes.
  Um balcãozinho num enorme hall de entrada com uma senhora que aparentava ter uns 65 anos e um jovem que aparentava ter uns 23 anos.
  O motorista, o senhor Austin, foi ter com a senhora que dizia chamar-se Alice e pediu quartos para passar-mos a noite e o preço de cada quarto. Éramos 35 pessoas no total e havia 10 quartos vagos. Cada quarta custava 10€ por noite sem refeição incluída de manhã. Eu e o grupo decidimos ficar num só quarto e assim era 2€ por cada um. Todas as pessoas encaminharam-se para o quarto incluindo o meu grupo quando lá chegámos combinámos logo uma forma de ter comida de manhã visto que tínhamos prometido ao motorista que ajudaríamos durante a viagem.
  _Podíamos pedir à dona Alice para nos deixar fazer o pequeno almoço de manhã para todos sem nos cobrar nada. _Sugeriu Calleb.
  _Parece-me uma excelente ideia! _Confirmou Zoey. Eu e Jacob imediatamente assentimos.
  _Nem pensar que eu vou trabalhar para os outros! _Resmungou Ariana.
  _Então fazemos assim, nós quatro _Jacob apontava para mim, Calleb e Zoey _vamos falar com a mulher e pedimos para nos deixar fazer o pequeno almoço para todos sem pagarmos nada e sem recebermos obviamente, cumprindo a palavra Austin.  Tu. Tens muito bom remédio. Pagas o teu pequeno almoço e pagas os 85€, porque eu não trabalho por NIN-GUÉM!
  _Não precisas de falar assim, eu alinho...
  Descemos esperando ansiosamente que a dona Alice ainda se encontrasse no balcão para pedirmos o o tal "trabalho".
  Quando nos encontrámos em frente ao tal balcão só la se encontrava o tal rapaz de 23 anos. O grupo inteiro pediu para ser eu a falar devido a ser a que tinha mais jeito, segundo eles, para comunicar com as pessoas.
  _Aah, desculpa, boa noite, a dona Alice? Eu precisava de falar com ela.
  _Boa noite! Eu sou o neto dela, Andrew. Diz me que se passa?
  _Andrew, eu e o meu grupo tivémos um desconto na viagem, mas a troco de ajudarmos a manter a ordem e queríamos recompensar de outra forma. Como vocês não servem o pequeno almoço, nós queríamos perguntar se o podíamos fazer. Não precisam de nos pagar.
  _Gosto da vossa humildade. _piscou o olho._ Se querem realmente fazê-lo amanhã às 6 da manhã chamo-vos para ir comigo às compras.
  _Às 6 da manhã?! Mas eu ou escrava de alguém?! _resmungou Ariana que rapidamente levou duas cotoveladas de Zoey e de Calleb e um olhar ameaçador de Jacob.
  _Nós aceitamos.. _disse rapidamente para evitar qualquer outro comentário de Ariana.
  Quando subimos para o quarto a dona Alice estava parada junto à nossa porta com a rigidez de uma estátua.
  _Dona Alice! Está tudo bem consigo? _perguntei a medo.
  Não obtive qualquer resposta.
  _Hey, dona Alice!!! Está tudo bem? _gritou Calleb.
  Sem resposta mais uma vez.
  Andrew surgiu no cimo das escadas e meio atrapalhado agarrou a dona Alice que não deu um único passo. Era de esperar que Andrew, um jovem rapaz, conseguisse mover uma idosa. Comecei a olhar para a sombra da senhora e ela tinha uma sombra sobreposta à sua. Fiquei bastante tempo a olhar até que puxei Calleb e apontei. Assim que ele olhou a sombra sumiu e um enorme sorriso apareceu na cara de dona Alice. Ficámos boquiabertos.
  _Então meus meninos ainda acordados? Amanhã vão-se levantar às 6, vão lá descansar. _disse carinhosamente dona Alice, enquanto descia as escadas com demasiada graciosidade para alguém de 65 anos.
  Entrámos para o quarto sem comentarmos nada.
  As raparigas foram-se deitar na cama e Calleb deitou-se juntamente com elas. Jacob deitou se no sofá e eu sentei-me no chão a pensar no que tinha visto.
  Meia hora depois estava tudo a dormir exceto eu que continuava a pensar na sombra e no estranho comportamento da idosa.
  De repente uma mão tocou-e no ombro e mandei um grito levando de seguida a mão à boca.
  As raparigas não se mexeram e Calleb levantou-se logo.
  _Não grites. Sou eu. Ía-te perguntar o que raio 'tás a fazer aí sentada. _sussurrou Jacob ao meu ouvido.
  Calleb sentou-se à minha frente meio ensonado. _Estás a pensar no que vimos. _Afirmou.
  Assenti.
  _Ah, já sei, o Calleb disse-me quando a velha 'tava a descer as escadas. Vai dormir isso não é nada. _sorriu Jacob.
  Não se preocupem comigo e vão vocês dormir. Temos que nos levantar às 6 e já são duas da manhã.
   _Não tenho sono. _bocejou Calleb.
  _Eu também não_ espreguiçou-se Jacob. _Baza dar uma volta e voltamos às 5:30 para trocar de roupa.
  Concordámos todos e fomos para o jardim em frente à estalagem.
  Vimos o nascer do sol e  voltámos à estalagem. Quando chegámos à porta da estalagem lá estava sorridente a dona Alice.
  _Querida? _chamou-me. _Tenho isto para ti. Guarda-o bem.
  Entregou-me um caçador de sonhos.
  _Aah, obrigada dona Alice, não era preciso.
  Ficámos todos admirados com o que se tinha passado, mas não comentámos. Assim que chegámos ao quarto guardei-o rapidamente na mala e acordei as raparigas.
  Enquanto os rapazes trocavam de roupa no quarto, nós, raparigas, trocávamos de roupa na casa de banho.
  Assim que estávamos todos arranjados  o quarto todo arrumado ouvimos bater à porta. Abrimos e era Andrew.
  _Bom dia _comprimentou_ Então, vamos à vila numa carrinha que dá para todos. É meia hora para lá, mais certamente quarenta minutos nas compras e outra meia hora para cá. Fazendo as contas, se partirmos agora voltamos no mais tardar às 8 horas.
  Descemos as escadas apressadamente e fomos para a carrinha. A viagem para lá foi silenciosa e para cá o mesmo.
  Na pequena vila comprámos 40 pães, 5 garrafas de sumo, 6 pacotes de leite, 5 quilos de fruta nos quais havia banana, maçã e laranjas, manteiga, fiambre e queijo. Dividimos o total por todos e Andrew contribui com 5 euros.
  Quando regressámos, ninguém ainda se tinha levantado então pusemos a mesa para todos incluindo a dona Alice e Andrew. A sala onde íamos tomar o pequeno almoço era enorme.
  Às 9 horas os hóspedes começaram a aparecer no hall e encaminhá-los para a sala.
  Acabámos o pequeno almoço às 09h30m e o motorista pediu para às 10 estarmos todos na camioneta.
  Fomos os últimos a chegar ao local,porque tivemos a arrumar a cozinha. Quando chegámos, os passageiros tinham feito um pequeno donativo devido a nós termos preparado o pequeno almoço. No total tinham nos da do 50 euros. Agradecemos e guardámos o dinheiro. Às 10h30m já estávamos a caminho do destino. Já "só" faltava 15 horas de viagem, O motorista disse que pararíamos só às 17 horas para irmos à casa de banho e depois só parávamos à 01h30m. Se não houvesse trânsito chegávamos por volta da meia noite.
  A viagem foi tranquila. Por volta do meio dia, depois de comer (o motorista deixava comer na camioneta), encostei-me a Calleb e adormeci, Calleb e Jacob fizeram o mesmo.
 Acordá-mos quando a camioneta parou e ficámos acordados até à chegada.
 Quando chegámos nem queríamos acreditar. Despedimos-nos do grupo de pessoas e fomos para o parque. Montámos as tendas e fomos dormir devido ao cansaço.
 Um novo dia nos esperava.




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