quarta-feira, 29 de junho de 2016

Uma "Estela" em Ascenção

  Capítulo 7-A Viagem

Estamos dentro do autocarro e vemos pessoas de todos os tipos a entrarem e a saírem. Desde um bebé de meses a pessoas de 80 anos. De góticos a pessoas "normais." De pretos a brancos. De cabelos longos a carecas. De bonitos a feios. A diferença reina. E eu gosto dessa diferença, demonstra que as guerras; conflitos; preconceitos; racismos são "coisas" inúteis.
  Ainda vamos só em 30 minutos de viagem e a Ariana  já se vai a queixar que está cansada e que quer sair dali. O grupo inteiro simplesmente ignora os comentários dela. Jacob vai encostado ao vidro, a dormir, eu e Calleb observamos as pessoas e comentamos e Zoey está a olhar pela janela. Ariana continua com as suas lamurias.
  Passado cinco minutos dos constantes comentários de Ariana, Jacob abriu os olhos e reclamou:
  _Mas tu vais ou não te vais calar? 'Tou cansado de te ouvir!! Não queres 'tar aqui sai e apanha o próximo autocarro de volta a casa.
  _És bué bruto!! Eu por acaso disse que não queria 'tar aqui? _contrapôs Ariana.
  _Então cala-te, estás a estragar o sossego da viagem a todos! _declarou Jacob.
  _Eu não me queria intrometer, mas o Jacob tem razão Ariana... Estamos a tentar ignorar os teus comentários, mas já chega. _Confirmou Zoey.
  _Se não queriam que eu viesse diziam. _choramingou Ariana.
  _Não, não queríamos, por isso é que sabes da viagem desde o início. _disse ironicamente Jacob.
  _Na próxima paragem eu saiu! _amuou Ariana.
  Cansada daquela discussão intrometi-me:
  _Ariana! Tu não vais a lado nenhum! E Jacob! Não estás a ajudar a tornar a viagem melhor. Podemos ter um momento de paz por favor? Começo a ficar arrependida de ter vindo. Se isto é um resumo das minha próximas duas semanas, eu quero voltar para casa.
  Em uníssono responderam:
  _Desculpa!!
  _Não o volto a fazer baixinha. _Jacob piscou-me o olho e deu-me a mão.
  Fomos o resto da viagem assim. Calleb reparou e sorriu para mim como quem diz "muito bem". Durante a viagem rimos e recordámos a altura em que nos conhecemos até à atualidade. Recordei a minha melhor amiga que tinha deixado em Portugal e da qual não tinha notícias à quase uma semana. Antes da viagem tinha-lhe mandado uma mensagem a contar tudo e prometera que quando voltasse das férias contava tudo.
  Chegámos à estação de serviço às 7:45.
  Depois de procurarmos saber que autocarros apanhar até ao Michigan, descobrimos que havia um autocarro que fazia o trajeto direto, mas teríamos que pagar 85€ fora o alojamento que teríamos que pagar durante a noite.
  Fomos falar com o motorista e ele disse que se conseguíssemos arranjar mais duas pessoas e ajudássemos na organização até Michigan que pagávamos só os 50€ que dissemos ter.
  Partia de lá às 9 da manhã e conseguimos arranjar as duas pessoas que faltavam.
  Incrível a quantidade de pessoas que viaja para  Michigan numa altura destas. Embora muitas vão para visitar familiares e não acampar, são mesmo muitas pessoas.
  Pusemos as malas dentro do autocarro e entrámos, sentámos-nos outra vez nos bancos que se encontram no final e descontraímos.
  Encostei-me ao Calleb e adormeci. Acordei quando ele me chamava cuidadosamente para sairmos do autocarro, tínhamos chegado a uma estalagem no condado de Colorado. Ajudámos o motorista a devolver a mal a cada passageiro e encaminhámos-nos para a estalagem. A pedido do motorista pedimos aos passageiro para não fazerem barulho visto que eram 23 horas e não podíamos fazer barulho devido a já se encontrar hóspedes na estalagem. A estalagem era linda. Por fora tinha uma cor creme desgastada com um telhado cheio de telhas de cor já velha devido à chuva, sol e vento. Por dentro assemelhava-se muito ao que eu já tinha visto em filmes.
  Um balcãozinho num enorme hall de entrada com uma senhora que aparentava ter uns 65 anos e um jovem que aparentava ter uns 23 anos.
  O motorista, o senhor Austin, foi ter com a senhora que dizia chamar-se Alice e pediu quartos para passar-mos a noite e o preço de cada quarto. Éramos 35 pessoas no total e havia 10 quartos vagos. Cada quarta custava 10€ por noite sem refeição incluída de manhã. Eu e o grupo decidimos ficar num só quarto e assim era 2€ por cada um. Todas as pessoas encaminharam-se para o quarto incluindo o meu grupo quando lá chegámos combinámos logo uma forma de ter comida de manhã visto que tínhamos prometido ao motorista que ajudaríamos durante a viagem.
  _Podíamos pedir à dona Alice para nos deixar fazer o pequeno almoço de manhã para todos sem nos cobrar nada. _Sugeriu Calleb.
  _Parece-me uma excelente ideia! _Confirmou Zoey. Eu e Jacob imediatamente assentimos.
  _Nem pensar que eu vou trabalhar para os outros! _Resmungou Ariana.
  _Então fazemos assim, nós quatro _Jacob apontava para mim, Calleb e Zoey _vamos falar com a mulher e pedimos para nos deixar fazer o pequeno almoço para todos sem pagarmos nada e sem recebermos obviamente, cumprindo a palavra Austin.  Tu. Tens muito bom remédio. Pagas o teu pequeno almoço e pagas os 85€, porque eu não trabalho por NIN-GUÉM!
  _Não precisas de falar assim, eu alinho...
  Descemos esperando ansiosamente que a dona Alice ainda se encontrasse no balcão para pedirmos o o tal "trabalho".
  Quando nos encontrámos em frente ao tal balcão só la se encontrava o tal rapaz de 23 anos. O grupo inteiro pediu para ser eu a falar devido a ser a que tinha mais jeito, segundo eles, para comunicar com as pessoas.
  _Aah, desculpa, boa noite, a dona Alice? Eu precisava de falar com ela.
  _Boa noite! Eu sou o neto dela, Andrew. Diz me que se passa?
  _Andrew, eu e o meu grupo tivémos um desconto na viagem, mas a troco de ajudarmos a manter a ordem e queríamos recompensar de outra forma. Como vocês não servem o pequeno almoço, nós queríamos perguntar se o podíamos fazer. Não precisam de nos pagar.
  _Gosto da vossa humildade. _piscou o olho._ Se querem realmente fazê-lo amanhã às 6 da manhã chamo-vos para ir comigo às compras.
  _Às 6 da manhã?! Mas eu ou escrava de alguém?! _resmungou Ariana que rapidamente levou duas cotoveladas de Zoey e de Calleb e um olhar ameaçador de Jacob.
  _Nós aceitamos.. _disse rapidamente para evitar qualquer outro comentário de Ariana.
  Quando subimos para o quarto a dona Alice estava parada junto à nossa porta com a rigidez de uma estátua.
  _Dona Alice! Está tudo bem consigo? _perguntei a medo.
  Não obtive qualquer resposta.
  _Hey, dona Alice!!! Está tudo bem? _gritou Calleb.
  Sem resposta mais uma vez.
  Andrew surgiu no cimo das escadas e meio atrapalhado agarrou a dona Alice que não deu um único passo. Era de esperar que Andrew, um jovem rapaz, conseguisse mover uma idosa. Comecei a olhar para a sombra da senhora e ela tinha uma sombra sobreposta à sua. Fiquei bastante tempo a olhar até que puxei Calleb e apontei. Assim que ele olhou a sombra sumiu e um enorme sorriso apareceu na cara de dona Alice. Ficámos boquiabertos.
  _Então meus meninos ainda acordados? Amanhã vão-se levantar às 6, vão lá descansar. _disse carinhosamente dona Alice, enquanto descia as escadas com demasiada graciosidade para alguém de 65 anos.
  Entrámos para o quarto sem comentarmos nada.
  As raparigas foram-se deitar na cama e Calleb deitou-se juntamente com elas. Jacob deitou se no sofá e eu sentei-me no chão a pensar no que tinha visto.
  Meia hora depois estava tudo a dormir exceto eu que continuava a pensar na sombra e no estranho comportamento da idosa.
  De repente uma mão tocou-e no ombro e mandei um grito levando de seguida a mão à boca.
  As raparigas não se mexeram e Calleb levantou-se logo.
  _Não grites. Sou eu. Ía-te perguntar o que raio 'tás a fazer aí sentada. _sussurrou Jacob ao meu ouvido.
  Calleb sentou-se à minha frente meio ensonado. _Estás a pensar no que vimos. _Afirmou.
  Assenti.
  _Ah, já sei, o Calleb disse-me quando a velha 'tava a descer as escadas. Vai dormir isso não é nada. _sorriu Jacob.
  Não se preocupem comigo e vão vocês dormir. Temos que nos levantar às 6 e já são duas da manhã.
   _Não tenho sono. _bocejou Calleb.
  _Eu também não_ espreguiçou-se Jacob. _Baza dar uma volta e voltamos às 5:30 para trocar de roupa.
  Concordámos todos e fomos para o jardim em frente à estalagem.
  Vimos o nascer do sol e  voltámos à estalagem. Quando chegámos à porta da estalagem lá estava sorridente a dona Alice.
  _Querida? _chamou-me. _Tenho isto para ti. Guarda-o bem.
  Entregou-me um caçador de sonhos.
  _Aah, obrigada dona Alice, não era preciso.
  Ficámos todos admirados com o que se tinha passado, mas não comentámos. Assim que chegámos ao quarto guardei-o rapidamente na mala e acordei as raparigas.
  Enquanto os rapazes trocavam de roupa no quarto, nós, raparigas, trocávamos de roupa na casa de banho.
  Assim que estávamos todos arranjados  o quarto todo arrumado ouvimos bater à porta. Abrimos e era Andrew.
  _Bom dia _comprimentou_ Então, vamos à vila numa carrinha que dá para todos. É meia hora para lá, mais certamente quarenta minutos nas compras e outra meia hora para cá. Fazendo as contas, se partirmos agora voltamos no mais tardar às 8 horas.
  Descemos as escadas apressadamente e fomos para a carrinha. A viagem para lá foi silenciosa e para cá o mesmo.
  Na pequena vila comprámos 40 pães, 5 garrafas de sumo, 6 pacotes de leite, 5 quilos de fruta nos quais havia banana, maçã e laranjas, manteiga, fiambre e queijo. Dividimos o total por todos e Andrew contribui com 5 euros.
  Quando regressámos, ninguém ainda se tinha levantado então pusemos a mesa para todos incluindo a dona Alice e Andrew. A sala onde íamos tomar o pequeno almoço era enorme.
  Às 9 horas os hóspedes começaram a aparecer no hall e encaminhá-los para a sala.
  Acabámos o pequeno almoço às 09h30m e o motorista pediu para às 10 estarmos todos na camioneta.
  Fomos os últimos a chegar ao local,porque tivemos a arrumar a cozinha. Quando chegámos, os passageiros tinham feito um pequeno donativo devido a nós termos preparado o pequeno almoço. No total tinham nos da do 50 euros. Agradecemos e guardámos o dinheiro. Às 10h30m já estávamos a caminho do destino. Já "só" faltava 15 horas de viagem, O motorista disse que pararíamos só às 17 horas para irmos à casa de banho e depois só parávamos à 01h30m. Se não houvesse trânsito chegávamos por volta da meia noite.
  A viagem foi tranquila. Por volta do meio dia, depois de comer (o motorista deixava comer na camioneta), encostei-me a Calleb e adormeci, Calleb e Jacob fizeram o mesmo.
 Acordá-mos quando a camioneta parou e ficámos acordados até à chegada.
 Quando chegámos nem queríamos acreditar. Despedimos-nos do grupo de pessoas e fomos para o parque. Montámos as tendas e fomos dormir devido ao cansaço.
 Um novo dia nos esperava.




quinta-feira, 21 de abril de 2016

Uma "Estela" em Ascenção

   Capítulo 6-Melhores Amigos

 Sexta feira. Finalmente.
  Todas as sextas quando acordo defino a semana como boa ou má. Esta foi uma montanha russa. A caminho da escola ponho os fones e escolho a música. Escolhi "Roller Coaster" de Justin Bieber pelo simples facto de roller coaster significar montanha russa. Hoje saíamos às 13:20 o que era ótimo para começar o fim de semana e a melhor parte de todas, férias.
  Estávamos todos bastante entusiasmos com o final do 2º período, mas o nosso grupo ainda não tinha planos. Tínhamos combinado que o primeiro fim de semana era para descansar.
  Chegada ao nosso local estavam todos numa grande agitação.
  _Então malta? A sexta começou animada! _Cumprimentei entrando no ambiente.
  _Olá, olá! _Respondeu Calleb._Senta-te temos de falar!
  Sentei-me entre ele e Zoey, em frente estava Jacob e ao seu lado Ariana com um rapaz que eu só conhecia de vista, ela era apaixonada por ele e foi uma grande surpresa para mim vê-los juntos, ele é conhecido de Calleb.
  _Primeiro deixa-me apresentá-lo à Estela! _guinchou Ariana. _Estela, Ferdinand, Ferdinand, Estela.
  _Olá. _sorri, olhando de forma provocadora para Jacob que me deitou a língua de fora. Ferdinand simplesmente levantou a mão.
  _Agora vamos ao que importa! _ordenou Zoey. _Tivemos a falar todos e estamos a pensar em ir acampar, de preferência já hoje até ao final das férias.
  _Mas, mas assim tão repentino? _gaguejei.
  _Tens medo do escuro é? _provocou Jacob.
  _Claro que sim! Terás que me proteger. Por mim podemos ir, é só falar com o meu pai.
  _Quanto a isso, não,não precisas de falar com o teu pai, está tudo tratado! Dado o que se passou esta semana eu falei com o grupo e com o teu pai e já tá tudo decidido à bastante tempo. _sorriu Calleb encolhendo-se esperando que eu explodisse.
  _Isso, isso é...UMA BRILHANTE IDEIA!!!! _gritei entusiasmada.
  _Eu estava à espera que me matasses, mas visto assim, estamos combinados! Às 13:20 vamos almoçar cada um a sua casa e depois vamos ter contigo. _respondeu Calleb igualmente entusiasmado.
  _Nem pensem nisso! Vai tudo almoçar à minha casa! Vocês tiveram trabalho a esconder isto de mim e a organizar tudo! _ordenei. _O rapazito vai? Desculpa esqueci-me do teu nome. _Olhei para Ferdinand.
  _Não, ele não faz parte do grupo. _disse secamente Jacob levando uma cotovelada de Ariana._O que é?! Disse alguma mentira?
  Zoey que tinha presenciado tudo calada por fim disse:
  _Concordo com a Estela! Eu já não tenho energia para fazer o meu almoço. Quanto ao que o Jacob disse, Ferdinand, não fiques zangado, mas é a verdade.
  _É, eu sei. _sorriu Ferdinand.
  Tocou e fomos para as aulas.
  Passámos as aulas inteiras e os intervalos a falar sobre o acampamento. Como Ferdinand passava os intervalos connosco eu tentava fazê-lo sentir-se integrado no grupo. Estávamos sempre no bar e sentávamos-nos sempre da mesma forma. De um lado da mesa estava eu entre Calleb e Jacob e do outro Zoey e Ariana, desta vez como tínhamos Ferdinand mandei-o sentar-se do lado de Ariana em frente a Calleb. Fiz-lhe perguntas e falava sobre o grupo, Calleb e Zoey ajudavam-me e Ariana estava radiante. A única vez em que Jacob abriu a boca para falar com Ferdinand e/ou acerca dele foi quando resmungou:
  _Tu não fazes parte do grupo nem vais fazer;! E vocês só falta contarem o tamanho das vossas cuecas!
  Jacob demorava a adaptar-se a presenças novas e eu não fazia ideia porquê, mas esta presença em questão irritava-o. Pedi desculpa a Ferdinand e obriguei Jacob a ir para a rua comigo fingindo uma enorme dor de cabeça.
  _O que queres? Eu sei que não te dói a cabeça Estela! Se doesse tu tinhas-me dito baixinho, não dizias o grupo todo!
  _Tens razão. Não me dói a cabeça. O que é que foi aquilo com o Ferdinand?  E não me venhas com as tretas de não gostares de pessoas novas! Não costumas ser assim!
  _Tu não queres saber. _Jacob baixou a cabeça virando-se para a parede.
  _Sim quero! E que saber agora Jacob!! _gritei colocando-me entre ele e a parede.
  Jacob deu um murro na parede que me fez estremecer, encostei-me à parede e esperei ele falar.
  Gargalhou e confessou:
  _Não gosto da forma como olha para ti e não gosto do quanto te dás bem com ele! Aliás nem com ele nem com nenhum!
  O silêncio reinou e por fim tocou.
  _Vamos para a aula baixinha! _Piscou me o olho e pegou-me como um saco de batatas.
  No início fiquei perplexa, mas depois entrei na brincadeira e comecei a espernear e a dar-lhe murros nas costas gritando e mandando ele pôr me no chão, obviamente, mal sucedida.
  No final da aula o pai de Jacob estava como sempre à porta da escola para levá-lo para a casa e a Calleb, mas desta vez uma pequena personagem estava com ele.
  Jacob não reparou pois vinha a discutir com Calleb sobre quem se sentava no no banco da frente. Crianças... As MINHAS crianças!
  Assim que Jacob chegou junto ao pai, a pequena Jane com o braço engessado e apoiada a uma moleta abraçou-se às pernas do irmão. Este rapidamente pegou-a ao colo e abraçou-a rindo e chorando.
  _Mano não chores! _gritou Jane aflita.
  _Ahahahahahahah não te preocupes meu amor! És a melhor coisa que me aconteceu hoje.
  Jane comprimentou todo o grupo e no final ficou abraçada às minhas pernas.
  Jacob disse ao pai que iriam todos almoçar a minha casa. Como éramos 5 e só havia 3 lugares livres no carro eu disse que não me importava de ir de camioneta para casa, Jacob disse ao pai que iria comigo na camioneta e a pequena Jane também insistiu em ir e nós concordámos.
  Chegados a casa temperei um frango com limão e sal e pus no forno e comecei a preparar o arroz.
  Perguntei a Jane se queria almoçar connosco e ela disse que sim radiante, mandei uma mensagem ao meu pai a agradecer a surpresa e a informar do almoço ao qual ele concordou sem qualquer preocupação.
 Meia hora depois o almoço estava feito e já estavam todos em minha casa. Wilson também almoçou connosco.
 Jane e Wilson despediram-se de nós e foram para casa. Eu e o restante grupo arrumámos a cozinha. De seguida os rapazes ficaram na sala a ver televisão e eu e as raparigas fomos para o quarto arrumar tudo o que eu precisava. Como eu não tinha tenda e a Zoey e a Ariana já partilhavam a tenda eu iria falar com Calleb para partilharmos a tenda dele.
  Acabámos de arrumar tudo e juntámos-nos aos rapazes na sala.
  _Oh Calleeeeeeeeeeeeeeb! Minha coisa lindaaaa! _disse parecendo uma criança enquanto me abraçava a ele..
  _O que é que tu me queres pedir? Já disse que não peço o Jacob em namoro por ti! _foi a risada geral.
  _Tenho a informar que a nossa amizade está acabada e que vou dormir no chão da floresta!
  Calleb atirou-se para cima de mim dando me enormes beijos na bochecha enquanto ria e dizia:
  _Eu partilho a tenda contigo mal disposta.
  Ficámos deitados no sofá abraçados um ao outro e comecei a notar que a Ariana olhava para o telemóvel de 5 em 5 minutos.
  Comentei com Calleb que não esperou nem dois segundos para a provocar:
  _Então Ariana, o amor da tua vida não te responde?
  Incrivelmente vermelha mandou-nos calar e mais ninguém tocou no assunto. Calleb e Jacob voltaram a irritar-me com o assunto da escola de canto e pegámos no meu computador e câmara e fomos para a cozinha.
  Punha o instrumental da música "All of Me" e Jacob filmava.
  Às 17 fomos fazer o lanche, fiz panquecas e sumo de laranja e às 19:30 o meu pai chegou juntamente com o meu irmão que deveria estar em casa desde as 15:30. O ambiente entre eles estava tenso.
  _Onde andas-te pirralho? _perguntei sorridente ao meu irmão.
  _O meu nome é Pedro caso não te lembres e não é da tua conta. _respondeu mal humorado.
  _Ele pode não ter explicado a ti, mas a mim vai explicar! Vem me ajudar a fazer o jantar Pedro, Estela põe a mesa para todos.
    Enquanto jantávamos o meu pai obrigou-nos a dormir lá em casa e de manhã cedo apanhávamos os transportes. Tivemos que concordar e ficar em casa.
  As raparigas dormiram no quarto comigo e os rapazes na sala.
  O nosso destino era o lago Michigan. Serão 35 horas de transporte. Levantar-mo-nos-íamos às 5 da manhã para tentar chegar às 11 da manhã do dia seguinte, embora soubéssemos que era impossível. Levávamos roupa, comida, produtos básicos de higiene e um estojo de primeiros socorros.
  Os pais de cada um entregaram-nos 100€ para o caso de necessitarmos de nos hospedarmos em qualquer lugar ou necessitarmos de comprar algo que não tivéssemos. Retirámos das nossas mesadas 50€ cada um para reforçar o dinheiro para os transportes.
  Deitámos-nos às 23 horas e às 5 da manhã estávamos todos a pé.
  Parecíamos zumbis. Fui-me vestir, sendo a mais rápida do grupo inteira (em 10 minutos conseguia estar pronta), e fui preparar o pequeno almoço. Fiz 10 tostas, duas para cada, uma panqueca para cada um e sumo de laranja para todos.
  Sentámos-nos à mesa a comer ainda meio a dormir, já eram 05:30. A primeira camioneta partia às 06:15 levando-nos até à primeira estação de serviço.  Comemos calmamente a calcular o tempo que demoraríamos a chegar à primeira paragem. Da paragem da minha casa até à primeira estação de serviço. Demorava uma hora e quinze minutos. Visto que a camioneta chegava à paragem de minha casa às 6:30 só chegaríamos lá às 07:45.
  Às 06:00 tínhamos acabado de comer. Lavei a loiça e fui-me despedir do meu pai e do meu irmão. O meu irmão lançou um grunhido que parecia ser "Adeus.", é o meu querido maninho. O meu pai desceu até à sala e pediu-nos para quando chegássemos ao lago para mandar mensagem aos pais a dizer que já tínhamos chegado ao destino. Mandou-me ter juízo e pediu-nos para jurarmos que tomávamos conta uns dos outros.
  Abracei-o e os seus olhos encheram-se de lágrimas.
  _Pai, tem calma, são só duas semanas, não dois anos! _exclamei.
  _Eu sei, mas vocês crescem tão rápido! _chorava o meu pai.
  _Se não queres que eu me vá divertir com eles diz e eu volto para a minha cama. _disse severamente.
  _Nem pensar filha, vai lá divertir-te! Tu mereces! _reconheceu dando-me um enorme beijo seguido de um abraço.
  Despediu-se de todos e fomos para a paragem.
  Às 06:30 ali estava o autocarro.
  Entrámos e sentámos-nos nos últimos 5 lugares. Estavam Ariana, Zoey, Calleb, eu e Jacob. Os meus melhores amigos. Espreitei uma última vez para a rua pela janela a que Calleb estava encostado. As férias começavam agora...



terça-feira, 8 de março de 2016

Uma "Estela" em Ascenção

  
                              Capítulo 5-Sonhos Verdadeiros

  Olho para o relógio pousado na mesinha de cabeceira e são três da manhã. Relembro-me de tudo o que se passou. Desbloqueio o telemóvel e está entupido com mensagens e telefonemas de Jacob. Nas mensagens ele perguntava o que se passava e se tinha feito algo errado demonstrando confusão. Envio-lhe uma mensagem pedindo desculpa pela hora tardia a que respondo e por ter saído assim da sala dizendo que simplesmente estava cansada. Cerca de cinco minutos recebo uma ligação na qual aparece o seu nome escrito. Respiro fundo e atendo.
  _Não achas que são horas para estares a dormir? _pergunto tentando transparecer calma.
  _Não achas que isso é uma forma um pouco arrogante de atender o telemóvel a uma pessoa tão linda como eu? _riu Jacob.
  _O que eu acho é que vou dormir.
  _'Tou a brincar! O que não tens de altura, tens que sobra para "aziar".
  _'Tas mal sabes o que fazer.
  _Não liguei para discutir. O teu pai contou-me.
  Aquelas palavras atravessaram o meu corpo como espadas. Permaneci em silêncio. Um silêncio ensurdecedor no qual me sentia a sufocar.
  _Estás aí? _perguntou baixinho Jacob.
  _Estou. _disse secamente.
  _Desculpa, eu só quero que saibas que eu estou aqui para ti Estela. Porque é que nunca nos contas-te?
  _Até amanhã.
  _Estela!
  E desliguei. As lágrimas escorriam insaciáveis. Esmaguei a cara contra a almofada e adormeci.
  À hora de sempre levantei-me, vesti-me e segui para a escola. Saí de casa vinte minutos mais cedo que o habitual e nem nas minhas apetitosas tostas toquei.
  Fui para a escola a pé com o volume  no máximo, no momento tocava "I Can't Feel My Face" do The Weeknd. Nenhuma música se enquadrava ao que eu estava a sentir. Nem eu sabia o que era.
  Quando cheguei à escola só lá estava Calleb. Ele assim que me viu sabia que algo não estava bem. Levantou-se e abraçou-me, um abraço silencioso mas que dizia muito. Desfiz-me em lágrimas e ele continuou a abraçar-me. Continuámos assim até ele ouvir a voz das raparigas e Jacob.
  _Recompõe-te miúda! _Ordenou.
  Limpei as lágrimas e dei-lhe um murro no braço esforçando uma gargalhada, ele entrou na brincadeira e ficámos assim até as raparigas e  Jacob chegarem junto de nós. Assim que acabei de cumprimentar a malta Jacob puxou-me para o lado e perguntou-me se eu estava zangada por ele por o que se tinha passado. Comecei a rir e disse que estava tudo bem perguntando de seguida pela irmã dele. Disse que a iria ver ao hospital e eu perguntei se também poderia ir, ele disse que sim.
  Era quinta feira e a primeira aula era biologia, a aula que eu mais gostava. Era a primeira a entrar na aula arrastando Calleb e a última a sair fazendo o grupo inteiro esperar por mim. Não me julguem, biologia é uma das minhas paixões!, a seguir a música, claro.
  Entrámos na aula, a turma sentou-se, a 'stora deu os habituais 5 minutos para nos acalmarmos e começou a explicar a nova matéria. O meu grupo dizia que em biologia os meus olhos brilhavam tanto que pareciam estrelas dado o meu entusiasmo. Os 90 minutos passaram a voar.
  Saímos da sala e eu disse que tínhamos de ir urgentemente ao bar, para surpresa de Ariana que me agarrou euforicamente arrastando-me.
  Eu pedi uma tosta mista e um santal de maçã e ela uma tosta mista e um compal de pêra. Sentámos-nos na mesa com o restante grupo. Calleb pediu para comer, passo a citar, "um bocadinho da tosta" e quando dei conta já não tinha metade. Fui comprar outra e desta vez metade dela foi comida por Jacob que de seguida levou um murro no estômago. Retribui o meu simpático gesto dando-me um beijo na testa e de seguida levantou-se e disse que tinha algo no cacifo para me mostrar, iria buscar. O grupo ficou boquiaberto, incluindo-me obviamente, de seguida começaram as especulações:
  _Se calhar ele vai buscar um anel e pedir-te em namoro! _guinchou Ariana.
  _Vai-se vingar de ti com uma pistola de água _riu Zoey.
 _Ele vem aí e está com um sorrizinho que é uma coisa parva. _disse cuidadosamente Calleb.
  _Calem a boca e Ariana de vez em quando vem à terra ver o que se passa. _rugi.
  Jacob chega junto de mim e põe-me um papel, uma caneta e um CD à frente. No cabeçalho da folha leio "Escola de Canto da Califórnia". Olho para ele boquiaberta:
  _Podes-me explicar o que é isto?
  _Sabes ler não sabes? Antes que respondas eu explico. Eu ouvi-te a cantar naquele dia em que fomos para tua casa. _ Ariana e Zoey arregalaram os olhos com a novidade. _No dia a seguir quando eu e o meu pai saímos da tua casa falei com ele sobre isso e como o meu pai tem contactos em todo o lado consegui esta candidatura para ti. Tens até 10 de março para entregar o CD com a tua voz e o papel. Agora a decisão é tua.
  _Eu não sei. Eu nem canto assim tão bem.
  _Mas tu estás a gozar?! Quantas vezes já cantas-te comigo ao teu lado?! _gritou Calleb.
  _Fala baixo Calleb. Também cantas muitas vezes ao meu lado... _digo baixinho.
  Ele abre a boca e toca a campainha para voltar-mos às aulas. Salva por enquanto. Pego nas minhas coisas e sou a primeira a sair do bar, quero evitar esta conversa pelo maior tempo possível.
  A última aula da manhã que temos é português. Não faço ideia do que estão a falar. Rabisco o caderno enquanto penso na maldita candidatura.
  Calleb dá-me uma cotovelada no braço e sussurra:
  _Inscreve-te por favor. Tentar não custa. Tu amas cantar Estela e nem penses em contrariar-me. Eu conheço-te bem. Faz isso. Arrisca. Uma vez na vida põe-te à frente dos outros. Pensa em ti Estela. Tu nunca fazes isso...
  _Diz à malta que não almoço cá. _respondi secamente. Calleb tinha razão, eu nunca pensava em mim nem tentava seguir os meus sonhos, porque estava sempre obcecada a ajudar os outros. Estes dois últimos dias eram virados para a irmã de Jacob e principalmente Jacob.
  _Nem penses que eu te vou deixar ir para casa. Sabes que eu tenho razão. Vais assinar o raio do papel à minha frente e logo vamos para minha casa escolher as músicas.
  _Ok pai...
  A aula acabou e Zoey e Ariana vieram a correr estericamente para o meu lugar.
  _Vais-te inscrever não vais? _guinchou Ariana.
  _Pensa nos rapazes lindos que vão estar interessados em ti quando fores famosa. _disse Zoey.
  Jacob tossiu secamente e disse:
  _Eu penso que ela não deveria pensar nos rapazes, mas sim que agora é hora de almoço e eu estou com imensa fome.
  Calleb não se conteu e soltou uma enorme gargalhada ficando os restantes elementos do grupo a olhar para ele.
  _Vocês dois já começavam a namorar não acham? À já dois anos que andamos nisto. Toda a gente vê que vocês amam-se, mas não sei porque é que vocês não admitem. O Jacob morre de ciumes de todos os rapazes com quem falas e olha que a lista é grande. _ria Calleb como se tivesse acabado de ouvir a melhor piada.
  _Eu?! Gostar disto?! Pensava que me conhecias melhor. _disse fingindo estar estupefacta com a afirmação dele.
  _Se não gostas de mim porque é que estás tão corada? _riu Jacob.
  _Vamos almoçar que eu estou com fome. _e saí da sala tropeçando nos meus pés.
  Fomos almoçar ao refeitório e o resto da tarde foi passada comigo a cantar e as raparigas a dançarem. Jacob e Calleb segredavam entre si.
  No final das aulas eu e Calleb despedimos-nos das raparigas e de Jacob nem sinal.
  Encaminhámos-nos para o portão e lá estava ele encostado ao Mercedes do pai.as
  _Olá Wilson. Desculpe pelo meu comportamento de ontem. _peço desculpa a olhar para o chão.
  _Não tens de pedir desculpa sobre nada. Eu falei com o teu pai e eu é que peço desculpa pelo comentário desapropriado. _sorriu Wilson. O sorriso dele e de Jacob era igualzinho. _Entrem no carro que eu levo-vos a casa do Calleb. Calleb espero que o Jacob não esteja a incomodar indo lá a casa.
  Deitei um olhar furioso a Calleb que nem se atreveu a olhar para mim.
  _Não te preocupes tio. Ele é sossegado. _disse Calleb empurrando de seguida Jacob. Eles conhecem-se desde que tinham 3 anos, daí já haver tanta intimidade entre Calleb e Wilson. Sempre que faltava algo a Calleb, Wilson socorria imediatamente.
  _Jacob e a tua irmã?! _perguntei lembrando da pequena Jane.
  _Vamos lá amanhã não te preocupes, hoje preocupa-te só contigo. _disse Jacob piscando-me o olho.
  Mais uma vez olhei furiosa para Calleb, eles tinham comentado a conversa que eu e Calleb tínhamos tido.
  Chegados a casa de Calleb despedi-me de Wilson e agradeci pela candidatura.
  _Vieste porquê mesmo?! _perguntei a Jacob que olhava para mim com um ar divertidissímo.
  _Ouvir-te cantar. Tenho o direito visto que fui eu que te dei a candidatura.
  Comecei a sorrir aproximando a minha cara o mais perto possível da dele deixando-o sem reação e disse seriamente:
  _Se pensas que vais te aproveitar do facto de me teres arranjado a candidatura para me chantageares bem podes "tirar o cavalinho da chuva" e levar a candidatura contigo. Se por o contrário queres assim tanto estar comigo diz-me e eu vejo o que posso fazer.
  Calleb que tinha ido à cozinha fazer uns ovos mexidos com bacon, quando voltou à sala para nos pedir ajuda e vendo-me tão perto da cara de Jacob começou logo a imaginar:
  _Vocês beijaram-se?! Sem a minha autorização?!
  Eu fiquei a olhar para ele seriamente e Jacob soltou uma gargalhada pegando-me às cavalitas e encaminhando-se para a cozinha disse a Calleb que eu o estava a ameaçar.
  Comemos os ovos mexidos com bacon enquanto eu mandava uma mensagem ao meu pai a dizer onde estava e que não sabia a que horas ía para casa e de seguida os rapazes escolheram duas músicas para eu cantar. Calleb escolheu "Locked Away" de Adam e Jacob escolheu "All of Me". Cantei ambas as músicas vezes e vezes sem conta. Calleb acabou por adormecer e Jacob continuava a olhar para mim enquanto eu cantava. Começando a ficar envergonhada levantei-me e fui buscar sumo ao frigorífico. Jacob segui-me sem fazer barulho e ficou encostado à porta.
  _O que queres? _perguntei para ele saber que eu sabia que ela estava na porta.
  _Tens algum super poder? Eu não fiz barulho nenhum. _disse baixinho.
  Permanecendo de costas respondi:
  _Não, mas sinto quando alguém está a olhar para mim.
  _Se eu te disser que gosto de ti? Muito mais do que amigos, como reagirias?
  Permaneci em silêncio.
  _Podes-me responder se faz favor? _disse baixinho Jacob.
  _Tu és louco. Ahahahah palerma. Queres beber algo?
  _Não.
  _'Tá bom, vamos para a sala então.
  _Calleb! Calleb acorda que são quase oito da noite e eu 'tou cheia de fome e quero saber onde vou jantar! Calleb!_gritava irritada o nome de Calleb pois queria esquecer aquela pergunta que ecoava na minha cabeça.
  _Estava a pensar em irmos comer pizza ao centro comercial. _levantou-se sonolentamente Calleb.
  _Então vamos que eu pago o táxi para lá! _exclamei
  _Tá bem eu pago o jantar visto que fui eu que tive a ideia._concordou Calleb.
  _E eu pago o táxi para cá e deixo cada um na sua casa. _finalizou Jacob.
  Chamámos o táxi, fomos para o centro comercial, jantámos e fomos para a casa, fui a primeira a ser levado por ser a que morava mais perto.
  Quando cheguei o meu pai estava no quarto e fui falar com ele sobre a candidatura e que o combinado ao jantar era que iria gravar o CD num estúdio, o meu pai disse que desde que eu quisesse ele não me impediria.
  Foi uma longa conversa de uma hora. Despedi-me dele com um beijo de boa noite e fui-me deitar. Quando peguei no telemóvel para ligar o despertador vejo uma mensagem de Jacob, leio a mensagem e diz "Dorme bem, adoro-te.", respondi atrapalhadamente "Larga as drogas querido. Mas vá, também te adoro, beijo".
  Deito-me a pensar na tarde passada e adormeço.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Uma "Estela" em Ascenção



                                 Capítulo 4-Duras Verdades

  De novo a mesma rotina...
  Acordo e são 06h30m. Começo  dar voltas na cama. Não consigo parar de pensar no estado em que o Jacob estava. Pego no telemóvel e nos fones. Começa a tocar "All Things Go" de Nicki Minaj. Trauteio a música enquanto penso na pequena Jane. Eu adorava aquela menina. O despertador toca, tiro os fones e faço o habitual. Lembro-me que Jacob está no andar de baixo, então visto uns calções. Quando chego à sala, ele já está acordado e está a dobrar os lençóis.
 _Isso é tudo vontade de ir à escola? _digo de forma brincalhona.
  _Os meus pais ligaram-me e a minha irmã está melhor. Vou para o hospital.
  _Nem penses que vais faltar à escola! _faz-se ouvir a voz determinada do meu pai. _Toca a ir para a cozinha para fazer o pequeno almoço e ir para a escola. Estela despacha-te!~
  Arrasto Jacob para a cozinha e começo a fazer tostas.
  _Tu gostas mesmo de tostas não gostas? _pergunta Jacob elevando a sobrancelha com um sorriso matreiro.
  _A-MO! Mas se quiseres comer outra coisa prepara tu! _desafio.
  _Não! Não! Eu também gosto de tostas.
  Fiz o pequeno almoço. Comemos calados e eu fui-me vestir enquanto ele ficava na sala a ver o "Dr. House" na Fox. Série que eu também admirava.
  Às 07h40m estava pronta como de costume. Disse-lhe que íamos de autocarro e ele fez uma enorme careta. O meu pai entregou-nos o dinheiro para a passagem de Jacob e lá fomos nós.
  Chegámos à escola e o nosso grupo ficou a olhar para nós boquiaberto.
  _Passou por aqui algum fantasma? _perguntei indignada.
  _Vocês... _disseram as raparigas.
  _O que é que temos?! _interrompeu Jacob enraivecido puxando-me para um canto deixando o resto do grupo (incluindo-me) sem qualquer resposta.
  Sentei-me ao lado dele sem proferir um único som. Ficámos assim até a professora chegar. Todos os intervalos ficávamos sozinhos sem falar. Simplesmente sentados a ouvir música. À hora de almoço recebi uma mensagem de Calleb a perguntar o que se passava. Disse-lhe simplesmente que na altura certa ele saberia.
  Na última aula da manhã tivemos físico-química e a professora pensando que era muito engraçada perguntou se eu e Jacob tínhamos ido namorar. 
  Com a maior das arrogâncias Jacob respondeu, mantendo o respeito:
   _Eu penso que a 'stora não tem nada a ver com isso.
  Gerou comentários pela turma inteira e a professora não abriu mais a boca em relação ao facto de termos faltado.
  Às  15h00m acabou as aulas e o pai de Jacob estava parado no portão da escola.
  _O teu pai veio-te buscar? _perguntei. Não sabia o porquê, mas queria que ele continuasse lá em casa. 
  _Sim. Vou para  hospital. _respondeu secamente.
  _Eu vou contigo.
 _Não te vais cansar para o hospital.
  Como entretanto já tínhamos chegado junto ao pai dele disse ao senhor Wilson:
  _Boa tarde senhor Wilson. Se não se importar posso ir consigo e com o Jacob ao hospital?
  _Vais-te cansar para o hospital para quê?! _gritou Jacob.
  Começando a gritar também disse:
  _Porque eu também me preocupo com a tua irmã!
  _Meninos calma! Acalmem-se! Estela, claro que podes ir. _disse calmamente o pai de Jacob.
  _Obrigada senhor Wilson.
  _Chama-me Wilson simplesmente.
  Sorri e encaminhá-mo-nos para o carro. Demorámos meia hora a chegar ao hospital. Sempre em silêncio.
  Chegados ao hospital o senhor Wilson, Wilson, disse o seu nome na entrada do hospital e dirigiu-nos para o quarto. Dei a mão a Jacob e ele apertou-a até ao quarto. Assim que vimos a pequena Jane deitada na cama a comer gelatina, Jacob largou-me e foi  a correr para a irmã que imediatamente largou a gelatina e saltava na cama. Wilson foi cumprimentar a senhora Mia e eu encostei-me à porta. Dei por mim a sorrir ao ver os dois irmãos abraçados e em gargalhadas.
  _Olá Estela. _ouvi a voz cansada de dona Mia.
  _Boa tarde dona Mia. _respondi de forma calorosa.
  _Por favor, não fiques na porta do quarto. Entra.
  Obedeci, entrei e encostei-me à parede.
  _Sabes que a parede não cai certo?! _riu Jacob.
  _Sabes que não metes graça certo? _ ri aproximando-me de Jane. _Olá meu amor!
  _Outra vez?! Mas tu já me viste hoje. _riu mais uma vez Jacob fingindo-se surpreendido.
  Ignorei revirando os olhos.
  _Olá Estela _gritou a pequena Jane preparando-se para se levantar.
  _Não te mexas! Eu vou aí!
  Nunca a tinha visto com um ar tão frágil. Cheia de fios ligados ao braço partido. Tinha também a perna e a cabeça partida. Dava a ilusão de que ao mínimo movimento feito ela magoava-se.
  Ficámos os três a brincar alegremente. Os pais de Jacob despediram-se e disseram que íam ao quarto do irmão mais velho. Jacob não proferiu um único som entrando num estado de rigidez total. A pequena Jane disse para lhe mandarem um beijinho. Eles saíram e regressámos à brincadeira.
  Às 19h00m o meu pai liga-me a perguntar onde é que eu andava. Embora que eu não tivesse que pedir autorização para sair, normalmente avisava, mas desta vez tinha-me esquecido por completo.
  Pedi-lhe desculpa por o ter preocupado, disse que estava no hospital e que iria apanhar a camioneta das 19h30m para casa. Os pais da pequena Jane ouviram a conversa e insistiram em levar-me a casa. Wilson e Jacob levaram-me e a senhora Mia ficou com Jane.
  Chegados a minha casa convidei-os a entrar e cheirava a pizza. O meu irmão estava sentado no chão da sala a devorar as cheirosas fatias.
  _Podias ter avisado que íamos ter visitas! _resmungou levantando-se e limpando-se enquanto cumprimentava Jacob e Wilson.
  _O pai está onde? _perguntei ignorando.
  _Está na casa de banho.
  Dito isto o meu pai si da casa de banho deparando-se com a sala cheia. 
  _Não precisavas de incomodar o pai do Jacob, Estela! _disse o meu pai envergonhado.
  _Não foi incomodo nenhum trazer a sua filha a casa! Aliás, a Estela nem queria, eu e a minha mulher é que implorámos que ela me deixasse trazê-la. Era o mínimo que podia fazer depois do que fez pelo meu filho. _sorriu Wilson enquanto apertava calorosamente a mão do meu pai.
  -Ora essa! Não era preciso! Desculpe não ter nada para lhe oferecer para o jantar, mas a Estela não me avisou que vinham! Quer beber alguma coisa?
  _não, não! Não quero incomodá-lo. Além disso tenho de voltar ao hospital porque a minha mulher está lá sozinha com os meus dois filhos.
  -Compreendo, então, mas prometa-me que assim que os seus filhos saírem do hospital vêem cá todos a casa almoçar!
  _Por amor de Deus! Oh homem! Não quero dar-lhe trabalho, nem a si nem à sua mulher.
  Assim que ouvi isto subi as escadas e fechei-me no quarto. O meu irmão e Jacob subiram atrás de mim.
  Jacob batia na porta do meu quarto e perguntava o que se passava, pois ele não sabia nada acerca da minha mãe. O meu irmão simplesmente pedia-me para o deixar entrar. Nenhum obteu qualquer tipo de resposta até que desistiram.
  Acabei por adormecer com os fones enterrados nos ouvidos. Aquela era uma ferida que não iria sarar. Se não falassem dela eu também não me lembrava, mas assim que falavam dela era impossível eu ficar indiferente a isso.




________________________________________________________________________________
All Things Go-Nicki Minaj https://www.youtube.com/watch?v=GI1wvNSrGBE